Sustentabilidade

Gestão das emissões

Nos últimos anos, as atividades do setor industrial têm tido uma cobrança mais intensa da sociedade, exigindo eficiência cada vez maior no controle e na minimização das emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Nesse contexto, as empresas devem trilhar o caminho da sustentabilidade, ou seja, buscar a perenidade do negócio frente aos desafios.

As previsões de alterações do clima indicadas no 15º Relatório, realizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC, sigla em inglês), órgão ligado à ONU, e no Relatório AR5 (Fifth Assessment Report), divulgado em 2014, fornecem uma clara atualização do conhecimento científico relevante existente sobre o tema mudanças climáticas que podem afetar diretamente as atividades da ArcelorMittal Brasil.

A Empresa está localizada em todo território nacional e, por isso, está exposta a fatores distintos em intensidade e frequência, já que as regiões apresentam biodiversidade, clima e ações antrópicas totalmente diversas. Alguns exemplos são: escassez de água, tempestades, falta de energia elétrica, pestes nas plantações de eucalipto (principal insumo para a produção de carvão vegetal e consequente uso na siderurgia), etc. Englobando todas essas variáveis e associando-as aos riscos provenientes do aquecimento global, a ArcelorMittal Brasil está em busca de ações preventivas para mitigar esses impactos físicos e prevenir possíveis impactos naturais, sociais e econômicos.

As emissões dos principais poluentes (material particulado, SOx, NOx, CO, CO2, etc.) podem causar grandes impactos à saúde humana. Esses poluentes são constituídos de partículas sólidas, gasosas e líquidas de diversas granulometrias, formas e composição química às quais dependem principalmente de sua origem e fonte. As fontes antropogênicas são representadas, principalmente, por processos industriais e por veículos de transporte.

O impacto desses poluentes na saúde humana tem sido motivo de diversos estudos epidemiológicos. Em virtude disso, para alcançar um desempenho ambiental superior em suas atividades produtivas, toda a Empresa deve implantar sistemas que possam reduzir os impactos ambientais gerados pelas emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Tais sistemas de controle devem ser monitorados para verificar a eficiência do controle a fim de contribuir para um adequado gerenciamento das atividades.

Anualmente, a ArcelorMittal Brasil informa os indicadores de emissões e relativos à mudança no clima no Relatório de Sustentabilidade.

Riscos

A Empresa considera os riscos ao negócio associados às questões da mudança do clima, como os riscos regulatórios que podem implicar na criação de metas compulsórias setoriais de redução dos gases de efeito estufa (GEE), além das necessidades oriundas da adaptação como, por exemplo, redução da captação de água para os processos produtivos ou, até mesmo, desastres ambientais em função de enchentes que podem impactar a Empresa. Já os riscos associados às emissões de poluentes podem ser as reduções de limites de emissões via regulação, exigindo altos investimentos em tecnologias de abatimento.

Em 29 de janeiro de 2010, após a conclusão da rodada de negociações da COP 15 (Conferência entre as Partes), em Copenhague, o governo brasileiro submeteu ao Secretariado da UNFCCC18 uma comunicação nacional contendo suas NAMAs (National Appropriated Mitigation Actions), ou seja, as ações de mitigação que suportavam o compromisso voluntário brasileiro de redução de 36,1% a 38,9% das emissões do cenário de linha de base (2005) para as emissões projetadas em 2020.

Em função disso, foram levantadas as iniciativas de redução de emissões de GEE, desenvolvidas pela Empresa desde 2005. Tais iniciativas foram, então, analisadas quanto à sua contribuição às NAMAs brasileiras, bem como aos Planos Setoriais definidos pelo governo federal. Além disso, essas iniciativas foram avaliadas quanto à disponibilidade de metodologia para cálculo de redução de emissões e de dados operacionais para tal quantificação. Foram, então, realizados cálculos de redução de emissões entre 2005 (ou ano de início de operação da unidade, caso seja posterior a 2005) e 2020.

Dessa maneira, foram elencadas iniciativas de redução de emissão da ArcelorMittal Brasil que contribuem para o atendimento das metas estabelecidas nas NAMAs nacionais e nos Planos Setoriais, tendo sido consideradas apenas aquelas em que é possível quantificar as reduções de emissões. Cabe salientar que foi uma iniciativa pioneira e proativa da Empresa junto ao Ministério de Meio Ambiente para demonstrar como a indústria do aço pode apoiar as NAMAs de forma a subsidiar o Ministério na promoção de reduções de CO2 no setor industrial.

Forma de Gestão

A indústria do aço é intensiva no uso de energia primária e a mudança do clima é um dos seus maiores desafios. O gás do efeito estufa de maior relevância para o setor de aço mundial é o dióxido de carbono (CO2); em média 1,8 tonelada de CO2 é emitida para cada tonelada de aço produzido. De acordo com a Agência Internacional de Energia, a indústria do ferro e aço é responsável por, aproximadamente, 6,7% do total de CO2 emitido no mundo. Nesse sentido, o setor deve, ao mesmo tempo, buscar a redução das suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar aos seus efeitos, como, por exemplo, a escassez hídrica e a menor disponibilidade de energia elétrica.

A redução das emissões de gases de efeito estufa está associada ao desenvolvimento e à introdução de novas tecnologias de ruptura (inovação radical e não apenas incremental) na produção de aço, incluindo a reutilização de CO2 e eficiência energética nos processos. Um exemplo de tecnologia de ruptura é o projeto ULCOS (Ultra Low CO2 Steelmaking), lançado em 2004 com a participação de 11 empresas produtoras de aço no mundo, apoiadas por 40 pesquisadores de Universidades.

As principais linhas de pesquisa são:

  • HISARNA >
    Injeção de Finos de Carvão, Minério de Ferro e O2
  • ULCORED >
    Redução Direta do Minério de Ferro por Gás Natural
  • ULCOWIN >
    Eletrólise do Minério de Ferro
  • RECICLAGEM DE GÁS DE TOPO DE ALTO-FORNO >
    Usando o Alto-Forno como reator

Podemos destacar o HISARNA, que se encontra em escala piloto e elimina duas etapas preparatórias de utilização intensiva de energia na produção de ferro-gusa, porque não há necessidade de aglomerar finos de minério em máquina de sínter e tampouco produzir coque a partir de carvão mineral. Esse projeto pode trazer redução da ordem de 20% nas emissões de CO2, sendo uma iniciativa das empresas Tata Steel e Rio Tinto, com cooperação direta dos principais produtores europeus, como a ArcelorMittal, a ThyssenKrupp e a Voestalpine.

No Japão, também se encontra em fase de desenvolvimento o COURSE 503, lançado em 2007, e que visa o desenvolvimento de tecnologias para reduzir as emissões de CO2 em cerca de 30% por meio da supressão das emissões de CO2 a partir de altos-fornos, bem como captura, separação e recuperação de CO2 do gás de alto-forno (GAF).

As tecnologias de ruptura ainda se encontram em escala piloto e demandam altos investimentos para o setor, além de longo período para aplicação. Diante disso, a Empresa investe, atualmente, na padronização dos cálculos das emissões de CO2 (busca do benchmarking) e em projetos de eficiência energética. Um estudo recente da Worldsteel Association mostra que a intensidade média de energia para a produção de aço é de 20 GJ / tonelada de aço bruto, com um potencial de melhoria da ordem de 15-20%.

Seguindo na linha de redução das emissões de CO2, podemos destacar o uso de energias de fontes renováveis, o desenvolvimento de aços avançados para o setor automotivo com a redução do peso para o menor consumo de combustível, a produção de aços elétricos aprimorados muito mais eficientes para aplicações em transformadores e motores com redução significativa da energia total necessária ao longo da vida útil.

O uso e o reaproveitamento de coprodutos gerados na produção de aço podem também reduzir as emissões de CO2 como substitutos de recursos naturais em outras indústrias. Por exemplo, a escória de alto-forno é utilizada pelo setor cimenteiro permitindo a redução do nível de CO2 de forma significativa.

O aço é o material de primeira escolha para governos e organismos públicos nos projetos de construção civil e infraestrutura. Dessa forma, o aço deve ser parte da resposta e não parte do problema no enfrentamento das mudanças do clima.

É necessária a promoção da utilização do aço onde quer que suas propriedades únicas possam ser exploradas ao máximo. O setor deve pesquisar para demonstrar que a pegada de carbono do aço é melhor se comparada a outros materiais que tenham a mesma aplicação, em função da sua capacidade contínua e infinita de reciclagem. As emissões de CO2 durante a primeira produção do aço atingem, em média, 2 tCO2/tonelada, já na próxima reciclagem são cerca de cinco vezes menores.

Outro desafio que a Empresa enfrenta são os impactos que a mudança do clima traz para o cotidiano das cidades e de suas populações, ameaçando os espaços construídos, os ativos e setores econômicos (IPCC, 2014). Portanto, esses impactos têm natureza transetorial que afetam diferentes setores econômicos (energia, cidades, recursos hídricos, entre outros). Destacando a questão da escassez hídrica, o desafio do setor de aço é, cada vez mais, produzir a mesma quantidade de aço com menor entrada de água no processo. Isso implica em implantação de tecnologias que promovam o seu reaproveitamento, busca de novas alternativas de coleta de água, tendo em vista que o recurso estará cada vez mais escasso e a priorização do uso sempre será e deverá ser o humano.


3 Sigla em Inglês para CO2 Ultimate Reduction in Steelmaking process by innovative technology for cool Earth 50 ou Redução Final de CO2 no Processo de produção de aço por meio de tecnologia inovativa para uma Terra melhor em 2050. Para mais informações, acesse o site da Federação Japonesa de Ferro e Aço: http://www.jisf.or.jp/course50/outline/index_en.html

Sem inovação, não existiriam grandes cidades

  • Sem inovação, não existiriam grandes cidades

    Nosso aço contribui com a evolução da sociedade, por meio de investimentos em tecnologias e oportunidades para a construção de um amanhã ainda melhor.
    Transformação projetos em realidade.

    Isso é ArcelorMittal