ArcelorMittal e Fiat Chrysler abrem  linha de transporte de aço por cabotagem

ArcelorMittal e Fiat Chrysler abrem linha de transporte de aço por cabotagem

ArcelorMittal e Fiat Chrysler abrem linha de transporte de aço por cabotagem

Troca de caminhões por navio aumenta a segurança, reduz custos e emissões de CO²A produtora de aço ArcelorMittal e a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) estão consolidando uma linha de cabotagem (transporte por navio pela costa de um mesmo país) entre os estados de Santa Catarina e Pernambuco, com vantag

Troca de caminhões por navio aumenta a segurança, reduz custos e emissões de gás carbônico
A produtora de aço ArcelorMittal e a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) estão consolidando uma linha de cabotagem (transporte por navio pela costa de um mesmo país) entre os estados de Santa Catarina e Pernambuco, com vantagens logísticas e de custos. A ArcelorMittal é um dos fornecedores de aços planos para o Polo Automotivo Jeep, da FCA, localizado em Goiana, Pernambuco. 
As bobinas de aço são produzidas pela ArcelorMittal Vega, instalada na cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. De lá, seguiam em caminhões para Goiana, em um percurso de mais de 3,2 mil quilômetros. Para atender à demanda média por aço da fábrica da Jeep, que é de 5 mil toneladas mensais, eram necessários 122 caminhões.
Com a volatilidade do preço do frete e o risco de eventuais interrupções do transporte por caminhões, as empresas começaram a buscar alternativas ao modal rodoviário. Estudos mostraram a viabilidade da migração para a cabotagem.  Os testes foram iniciados em 2018 e somaram mais de 10 embarques até 2019. 
A operação acontece entre os portos de Itajaí, próximo a São Francisco do Sul, e de Suape e Recife, que atendem a Goiana. A cabotagem toma mais tempo que o transporte rodoviário – 11 dias para carga, descarga e percurso, contra sete dias do caminhão. No entanto, um navio transporta a carga total prevista para o mês, enquanto no modal rodoviário esse volume é fracionado.
O novo modelo gerou a necessidade de contratação de um armazém local pela ArcelorMittal Vega para receber a carga total do mês e organizar o fluxo de entregas do aço, conforme a demanda da planta, que opera pelo sistema just in time.
O transporte por cabotagem também resultou em maior integridade das bobinas na ponta da entrega, uma vez que a estabilidade do navio evita danos ao material, que acontecem em virtude de freadas e buracos. Luis Santamaria, diretor da FCA que trabalhou na implementação da linha de cabotagem, observa que este modal oferece menor risco de roubos, avarias e ocorrência de acidentes. “A cabotagem no Brasil está longe de atingir todas as suas potencialidades”, afirma Santamaria. “É um modal que demanda e merece novos investimentos, para que superemos obstáculos como restrições de rotas, pouca integração com outros modais e burocracia”, diz.
Santamaria adianta que a FCA continua a trabalhar em conjunto com outros fornecedores para viabilizar formas de utilização da cabotagem. “É uma solução muito adequada ao Polo Automotivo Jeep, devido à proximidade de bons portos”, acrescenta. 
Os testes realizados em conjunto pela produtora de aço e a FCA mostraram que a modalidade marítima reduz o custo logístico e traz, ainda, ganhos para o meio ambiente. “Além de oferecer custo competitivo, a cabotagem evita a emissão de 3,6 mil toneladas de gás carbônico por ano (equivalente a 3 por cento das emissões de toda a unidade de Vega), já que retira das rodovias 122 caminhões por mês”, explica o vice-presidente Comercial da ArcelorMittal Aços Planos, Eduardo Zanotti.  
Os bons resultados levaram à implantação da rota em bases regulares. “Com esta regularidade, poderemos prospectar novos clientes em regiões mais distantes”, diz o vice-presidente Comercial.